A sorte está lançada!

27 de agosto de 2008, às 14:27h

Nesse momento crucial para o destino da Humanidade, publico a carta de Fred Arruda, o futuro presidente do Clube do Santo Nome, e de Dimas, o Editor-Mor do Torcedor Coral (aqui). Meu nome está entre os apoiadores, está entre grandes tricolores, com muita honra! Ganhando a eleição, deixo a vida acadêmica e viro cartola, a profissão mais importante do planeta. Cá entre nós, ciência social é um besteirol danado, pois não explica nada, não modifica nada, só faz confundir. É um jogo de discursos, que gera discurso, que gera discurso, ad nauseam. E sem discurso final. Querem transformar o mundo? Ora, virem cartola!

por Fred Arruda

Acho que não há muito que se dizer sobre o fim da série C para o Santa Cruz. Isso estava desenhado desde o final do ano passado. Alguns não quiseram enxergar, por razões diversas. Aqueles que vêm dando sustentação a Edinho no Santa Cruz já escolheram o nome do próximo presidente dos seus sonhos: Antônio Luiz Neto.

Nada contra o nome de Antônio Luiz Neto. Tudo contra o velho modelo de duas ou três pessoas continuarem a definir o destino do Santa Cruz. Tudo contra o modelo centralizador de gestão do Santa Cruz. Tudo contra a possibilidade do atual presidente concluir seu mandato. Afinal de contas, nem mesmo temos vaga assegurada para a série D de 2009.

É preciso antecipar urgentemente as eleições, pois a próxima gestão precisa começar a trabalhar com antecedência pro campeonato pernambucano de 2009 e pra Copa do Brasil de 2009. Está definitivamente na hora de refundar o Santa Cruz.

Sabemos que o presidente do Executivo não renunciará. Diz ele que isso é coisa de covarde. Querem maior covardia do que levar um clube da grandeza do Santa Cruz para a quarta divisão? Resta-nos apelar ao presidente do Conselho que, apesar de omisso, é torcedor do Santa Cruz e, até onde acredito, é um homem de bem.

Mesmo que sua motivação não seja por amor ao Santa Cruz; que não seja por respeito ao torcedor; que seja apenas por um lapso de dignidade do cargo que o sócio do Santa Cruz lhe conferiu e confiou: caro Alexandre Ferrer, convoque imediatamente o Conselho Deliberativo do Santa Cruz Futebol Clube para discutir e deliberar sobre a antecipação das eleições no clube. E que a lista de sócios seja imediatamente publicada. Que as eleições ocorram já. Pra que esperar por 15 de outubro?  Apenas pra atender às necessidades do candidato da situação, que também é candidato a vereador?  Convocar as eleições pra ontem é o mínimo do que se pode esperar do senhor nesse momento. Estivesse a sua empresa em situação de dificuldade, o Conselho já haveria se reunido. Não se omita mais uma vez.

Desabafo dessa forma, com ênfase e emoção, pois tenho a certeza que minha dor é compartilhada pela maioria dos torcedores corais. Permaneci calado até o último domingo em respeito às remotas chances que ainda tínhamos de nos manter na série C, mas nesse momento tenho a ousadia de me declarar porta-voz de mais de uma centena de amigos, ou simplesmente conhecidos relacionados abaixo, com quem tenho conversado ou trocado e-mails nos últimos meses.

ADILSON FERREIRA DE LIMA
ADILSON PAZ DE LIRA
ADRIANO ANTONIO DE LUCENA
ALBERTO CARDOSO C. REGO FILHO
ALESSANDRA HOLANDA
ALEXANDRE SERGIO DE CASTRO
ALEX MICRURUS
ALLAN RODRIGO DOS SANTOS ARAUJO
ANDERSON SEABRA
ANDRÉ CÂNCIO
ANDRÉ DUARTE
ANDRÉ GUSMÃO
ANÍBAL DE SOUZA
ANIZIO CARLOS DA SILVA
ANNA RITA DORNELLAS C. DE ALMEIDA
ANTÔNIO COSTA
ANTONIO FERNANDES MOUSINHO NETO
ARNILDO ANANIAS DE OLIVEIRA
ARTUR PERRUSI
CARLOS GILBERTO PIRES GALVÃO
CARLOS HENRIQUE F. LINS JATOBA
CARLOS HENRIQUE DE MOURA GOMES DE MELLO
CARLOS ROBERTO MIRANDA FILHO
CLAUDEMIR PEREIRA
CLESIO FERRO VANDERLEI
DANIELLE MENDES B. LEAL
DÉBORA NOVA
DIEGO GALDINO
DIMAS DA FONSECA LINS
EDGAR ASSIS
EDUARDO DE QUEIROZ CHAVES
EDUARDO ESTEVES
EDUARDO LACERDA TIBURTIUS
EDUARDO MAIA
EDUARDO PERES RAMOS DA SILVA
EDWARD OLIVEIRA
ELVSON CARDOSO
FABIANA DE AZEVEDO PIRES FERREIRA
FÁBIO DO REGO BARROS MARTORANO
FABIANO PINHEIRO GOMES
FÁBIO GUEDES ALCOFORADO
FABIO JOSE PASINI HARTMANN
FÁBIO MILHOMENS
FERNANDO HENRIQUE ARRUDA
FLÁVIO ARANHA
FLAVIO HENRIQUE DE H. LINS
FLÁVIO MARANHÃO
FLÁVIO UCHOA
FRANCIS ALBERTO TORRES COSTA
FREDERICO DIAS
FREDERICO MARANHÃO
GERALDO FERREIRA DE LIMA JR
GERALDO MAGELA
GERINO XAVIER FILHO
GILENO FERREIRA DE LIMA
HUGO VICTOR LIMA DE MOURA
HUMBERTO ANGELIM
ICLEIBER CALIFE
INACIO JOSE PIMENTEL FRANÇA
IVAN PATRIOTA
JOSÉ ANCHIETA
JOSÉ IRINEU “ZÉ QUINTAS”
JOSÉ MARIA SANTOS
JOSE PINHO DE SOUZA NETO
JOSE SOARES MIRANDA BELTRÃO
LEO BURGOS
LEONARDO JÚNIOR
LUCIANO MAGNO
LUIZ ALBERTO “LULINHA” NASCIMENTO
LUÍS NÉLSON “NELSÃO”
LUÍS VIEIRA
MARCELO BELTRÃO DE ATHAYDE MELLO
MARCELO RIBEIRO
MARCELO VIEIRA FERNANDES
MARCELO SILVA FILHO
MILTON DE OLIVEIRA SANTOS JR
MISAEL WANDERLEY DOS SANTOS
MISAEL WANDERLEY DOS SANTOS JR
MURILO MARINHO
NEVTON BORBA DE ANDRADE
NIVALDO BRAYNER
ONALDO POMPÍLIO
OSMAR GUEDES ALCOFORADO NETO
PAULO AGUIAR DO MONTE
PAULO BACELAR
PAULO BORBA SANTA
PAULO GUILHERME
PAULO ROBERTO M. DE AZEVEDO
PAULO SÉRGIO CAVALCANTI ARAÚJO
RICARDO CARVALHO
RICARDO PAREDES DA SILVA HONORIO
ROBERTO WANDERLEY FREIRE
RÓBSON SENA
RODRIGO VERAS
RODRIGO FALCÃO GOMES
RODRIGO VERAS DE ALMEIDA
RODRIGO MARANHÃO
ROGÉRIO MOURA
ROSIVALDO ARRUDA DE ARAUJO
RUI MONTEIRO JR.
SÉRGIO CABRAL DO REGO
SÉRGIO CORRÊA TRAVASSOS
SÉRGIO DE AZEVEDO
SERGIO MAGALHÃES
SÉRGIO MURILO
THIAGO TOMÁZ LOPES CORREIA
VALDEMAGNO SILVA TORRES
VÁLTER AZEVEDO
WÁLTER OCTAVIANO
WILTON MONTEIRO


Por Dimas Lins

A sorte está lançada. Fred Arruda também foi lançado. Não apenas como candidato, mas principalmente como liderança. A carta de Fred Hora da refundação mostra bem isso.

Ele não é um salvador da pátria, nem se lança assim. Também não o vejo assim. Vejo Fred como agregador. E isso é importante, pois para levantar um gigante como o Santa Cruz não precisamos de um, mas de muitos.

Também não precisamos de todos. Sinceramente, não. Vejo com desconfiança quem prega esse tipo de união. Ou não sabe das coisas ou sabe demais. Não há razão para compor com quem contribuiu para a destruição do clube nesses últimos 20 anos. Precisamos de princípios, pois o caráter é moldado assim. Princípios. A honra também se molda assim.

O Santa Cruz chegou a um ponto tão crítico que cada um de nós tem que assumir uma responsabilidade nesta sucessão. Eu assumo a minha. Apóio Fred Arruda como candidato. Apóio, porque ele não é candidato de si mesmo, mas de um grupo. Um grupo de tricolores que, como nós, não quer ver o clube se acabar.

Defendo este grupo, porque conheço praticamente todos os integrantes - em maior ou menor grau - e sei de suas convicções, honradez e desejo de mudança. Acima de tudo é um grupo de pessoas de bem e com vontade de dar a volta por cima.

Também conheço o projeto de gestão deste grupo. Grande parte do meu apoio, aliás, vem daí. É um projeto que vem sendo construído há algum tempo. Vejo, enfim, caminhando lado a lado, candidato e projeto. Não palavras, mas projeto.

Alguém poderá apontar que assumir publicamente a preferência por um candidato pode ser um erro político. Lembrará de Edinho e dirá que agora tudo se repete. De fato, não há como saber se Fred fará uma boa gestão, assim como nem os mais pessimistas imaginavam que Edinho tornar-se-ia o último rei da Escócia.

Não importa. Política são escolhas. E se basea em pensamentos convergentes entre o candidato e o eleitor. Se o candidato se distancia do eleitor, não é culpa de quem elege, mas de quem foi eleito. Foi assim com Edinho. Não precisa ser assim com Fred.

Também defendo a ampliação da chapa. É preciso agregar as oposições que comungam do mesmo pensamento em torno de um projeto comum.

Sei apenas que, diante da situação do nosso clube, o silêncio é para os inocentes. Somos responsáveis pelo destino do Santa Cruz, coadjuvantes ou protagonistas. Não esperarei que decidam por mim. Enquanto tiver discernimento, prefiro eu mesmo decidir.

As eleições serão antecipadas para a segunda quinzena de setembro. Por isso, deixo aqui um convite. Mas que isso. Uma convocação. Vamos para o ato político de lançamento da candidatura de Fred Arruda para a presidência do Santa Cruz.

Local: Sindserp - Rua Fernandes Vieira, 67, após a Praça Osvaldo Cruz e, a 50m do Largo da Soledade.

Data: 28/08/2008

Horário: 19 horas e 30 minutos

A hora é refundar, para não afundar.

Rezar o terço

26 de agosto de 2008, às 21:04h

Soube que, a pedido da Igreja Católica, a justiça brasileira vetou a utilização da foto de Carol de Castro pela editora Abril. Não conheço a imagem e não a vi, ainda. O curioso é que a foto saiu na Playboy de agosto, segundo informações do Reverendo Tsé-Tsé. Acredito que o pedido tenha sido da lavra do Reverendo e não da IC. Certamente, há fetiche na foto! Uma vez, ele me disse: _não admito a fetichização de símbolos sagrados! Desconfio que o Reverendo leia escondido a Playboy . E que gosta de objeto animado ou inanimado, ao qual se presta culto, mesmo os mais insólitos e os mais solitários…

Estou indo, nesse exato momento, ver a foto. Está meio indistinta, meio opaca. Não distinguo os detalhes. Sabe de uma coisa?! Colarei no blog… talvez, melhore a visualização. Bora ver.

Opa!…

(Silêncio ensurdecedor)

Bem… er… de fato, a foto é… meio.. aaah… huum…

(Novo silêncio mais-do-que-ensurdecedor)

Serei objetivo: percebo que Carol manuseia sonsamente um terço. Por que diabo não segurou de forma menos dissimulada o símbolo sacro? Por que fingir seriedade e santidade?! A IC tem razão em se sentir ofendida. Poxa, sou ateu, mas sou moralista. Por exemplo: jamais publicaria uma foto com Carol segurando, desse modo tão, tão, assim, assado…

…ah, sim, jamais publicaria uma foto com Carol segurando uma foice e um martelo. Não dá. Seria contra minhas crenças stalinistas. Inclusive, publico a imagem acima, agora, quase sem querer. Tentei tirá-la, mas o word-press é tarado e a fixou no blog. Por isso, chamei Dimas, o mago dos blogs, e ele me disse, depois de olhar longamente, insistentemente, compulsivamente, babamente, marejadamente…,_Dimas, porra, acorda!, que era impossível retirar a foto.

Peço desculpas a todos. Tenho azar como censor.

PS: Ufa! Diminuí a foto. Creio que, com seu tamanho liliputiano, obtive uma refração do seu efeito simbólico. O politicamente correto teve uma vitória parcial na minha alma.

O Dente

25 de agosto de 2008, às 21:59h

 

Frase da minha dentista, em dezembro de 2007:

_Esse dente pode inflamar, Artur!

E eu? Nem !

Mamãe, sábia patativa, dizendo:

_Vá ao dentista, meu filho!

E eu? Nem !

As forças do bem me empurravam para o bom caminho, mas eu continuava… emperrado.

E, pumba! o diabo, que me dava uma colher de chá, focalizou sua atenção no coitado aqui, ou melhor, no meu dente.

(…)

O dentista paraibano olhou e olhou meu dente inflamado, não disse nada que não soubesse, chamou-me de colega, arrebanhou conhecimentos sobre a etnopsiquiatria e os costumes estranhos de uns índios da Amazônia, e eu lhe disse que não sabia bulhufas da Amazônia, exceto o que Cousteau tinha dito,

_ah, Cousteau, esse cara é porreta, e ele continuou a falar e a falar,
_a Colômbia tem
muita droga, sim, tem droga pra cacete, a droga vai conquistar o mundo,
_tem
gente que não acaba mais no mundo, é muito sexo, sexo demais, a pernambucana é quente, não? quente?! quente é minha psicanalista!
_sua
quem
? deixa pra !
_mata-se
criança feito mosca no Recife, sim, criança boa pra gente é criança morta, mas amamos as crianças, elas têm uma carne muito macia, ouviu falar de baby-bife?
_não
, não, é bom?
é sim, malpassada e não esqueça do molho de tomate, queum efeito legal, e ele buzinou, enfim, que precisava arrancar o meu dente. Reparou, então, que seria uma pequena cirurgia bucal e me deu uma enorme lista de cuidados pré e pós-operatórios. Meu Deus, eu ia tomar uns barbitúricos antes da cirurgia.

Barbitúricos?!

Eu tava fodido! O cara ia arrancar a minha mandíbula! Por que tanta preparação para um dente?

Cheguei em casa e minha sanidade estava… abufelada.

(…)

Estava em casa. Jazia no chão da sala, com aquela baba verde de alucinado, os olhos fundos, brilhando intensamente. Eu delirava enormes crateras ensangüentadas, com bordas sensíveis, intumescidas e refratáveis ao toque. Rios de sangue corriam nesse lugar e eu escutava ao longe gemidos de dor e de intenso sofrimento. As crateras pareciam vulcões lançando seus jatos rubros como uma enorme hemorragia e tudo, ao redor, estava em ruínas, onde pequenas criaturas de marfim, de estrutura dura e semelhantes a osso, clamavam por misericórdia e pela existência de um Deus bondoso qualquer.

Passei todo o fim-de-semana neurastênico e completamente paranóico. Estava com a “síndrome histeriforme do dente queiro”, doença rara e terrível nas conseqüências. O seu sintoma principal é a paranóia, cujo motor, posso lhes dizer, é o desespero e a perdição. Hoje, sei que é uma idiotice dizertodo paranóico acerta o alvo“, e quem disse essa ilusão profunda, certamente é um grandeparanóico. Um ser acometido dessa enfermidade parece aquele trotskista que vive gritando a chegada da revolução e, quando esta chega, destruindo tudo, afirma galunfante, pendurado no pau-de-arara, “eu não disse?”. As relações entre a paranóia e a realidade são ambíguas porque todas as duas têm uma vinculação com a virtualidade; mas, enquanto a segunda é uma virtualidade destruída, consumida pelo fogo infernal da realização, a primeira é, antes de tudo, um virtual pleno e pujante.

A realidade confirma a possibilidade; a paranóia mata.

É inacreditável, mas enfiei na minha cabeça que iam arrancar o meu dente sem anestesia. Por mais que meus amigos dissessem que isso era impossível em João Pessoa, logo a vizinha de Recife, eu simplesmente não entendia qual era a relação entre a anestesia e uma vizinhança regional. Tentei-lhes demonstrar a veracidade dos meus medos e, a cada desmoronar das provas, como um poeta, respondia com uma salva de delírio. Pra mim, tudo era óbvio e, ao mesmo tempo, misterioso: por que o dentista tinha dado dois comprimidos de barbitúrico? Eu tinha que tomá-los uma hora antes da extração. Ora, isso podia significar que o carrasco queria me deixar com sono e calmo, para poder, assim, realizar todas as suas crueldades sem encontrar muita resistência. Pensei até que, talvez, fosse um costume paraibano arrancar o dente queiro sem anestesia, principalmente na época de chuvas ou, então, uma nova lei xenófoba proibindo o uso da anestesia nos pernambucanos.

E meu dente doía e doía, estando inflamado e inchado, e arrancá-lo significaria um sofrimento atroz.

(…)

Pela manhã, tomei os dois comprimidos de barbitúrico, mas, não agüentando a ansiedade e o medo, fugi para a praia e, depois, fui parar na casa da vizinha, uma velhinha, onde me escondi no banheiro. Por azar, era o banho trimestral da senilidade e fui descoberto. A velhinha me delatou aos protetores das tartarugas de Intermares. Ficaram felizes; afinal, depois de tantas omeletes, tinham sua revanche; assim, levaram-me ao cadafalso, sem nenhuma pena. Cheguei ao consultório, triste e sonilundo, entrei na câmara odontológica passivamente e me dei um adeus meio triste.

Quinze minutos depois, o monstro-dentista me mostrava o dente e eu, boquiaberto, olhava-o pasmado, pois não sentira dor alguma, nem sequer um beliscão. Nada. Beirei o impossível, senti nada. Minha alegria era absurda, virei imediatamente casaca, da depressão à mania, e me transformei num apologético defensor da odontologia paraibana, do prefeito Ricardo Coutinho e do nudismo de Tambaba. Tão alegre, parecia mais Judith de Bartok, quando abriu a derradeira porta da noite. Mas claro, claro e claro: João Pessoa, vizinha de Recife. O truísmo anestesia/vizinhança alumiava a minha compreensão. Larguei, assim, a paranóia na sarjeta, como uma puta velha, carcomida pelo cancro mole. Eu era um crédulo! Um otimista, acreditando na boa vontade dos homens e vivendo o futuro como se fosse o presente. Eu tinha me transformado na criatura mais feliz da face da Terra! Eu era Lula!

O anjo-dentista disse, porém, que talvez sentisse dor, muita dor, depois de passar o efeito da anestesia. Minha felicidade, porém, intoxicava meu cérebro - alegria como falsa consciência. Dor!? dor, um caralho! dor não existe! É uma invenção dos fracos e dos carneiros para se proteger dos poderosos e das águias! Saí da sala e olhei triunfante os transeuntes. Pensei pedir um taxi, mas que taxi nada! pra que taxi!? vá se foder todos os taxis do mundo! Irei a e de ônibus! pra